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Revista Millioneyes – OLHO SECO – Roma acolhe Reunião Europeia dos Embaixadores TFOS

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Venho partilhar consigo o recente artigo publicado na revista Revista Millioneyes.

Embaixadores Europeus do Programa Global da TFOS (Tear Film and Ocular Surface Society; www.tearfilm.org) reuniram-se na emblemática cidade de Roma, para discutir a magnitude, o impacto e as soluções para uma melhor Gestão do Síndrome do Olho Seco.

 

Em 2000 nasceu uma organização visionária e ambiciosa, que mais tarde viria a dinamizar várias iniciativas internacionais de relevo, para a investigação e educação no campo científico do filme lacrimal e da superfície ocular externa: a Sociedade TFOS.

Desde da sua criação, a TFOS organizou inúmeras conferências internacionais, simpósios e workshops focados em doenças oculares relacionadas com o Olho Seco, a disfunção das glândulas de meibómio e pelo desconforto provocado pelas lentes de contacto. Os resultados destes estudos foram publicados, entre outras, nas revistas científicas Investigative Ophthalmology and Visual Science e The Ocular Surface, desde 2007 até ao presente.

O Programa Global de Embaixadores TFOS foi criado em 2019, em diversos países a nível global e dele fazem parte os profes sores portugueses José Salgado-Borges, médico oftalmologista especializado em segmento anterior e superfície ocular externa, e José González-Méijome, optometrista e professor catedrático na Universidade do Minho (https://bit.ly/2Dk8WgZ).

Um dos acontecimentos organizado pela TFOS foi a reunião dos Embaixadores Europeus. Em setembro de 2019, Roma foi palco da TFOS European Ambassadors Meeting.

Na reunião de dois dias foram analisados os impactos das restrições no conheci mento da dimensão da patologia de Olho Seco e as principais limitações no acesso da população ao seu diagnóstico e tratamento.

Foram ainda discutidos os esforços a desenvolver coletivamente para que a população possa ver o seu problema identificado e tratado devidamente, no sentido de lhe proporcionar uma melhor qualidade de vida. O relatório da reunião foi recentemente publicado e já está disponível para todos os interessados na prestigiada revista The Ocular Surface (https://bit.ly/2DqVgRV).

Este relatório trata as necessidades não atendidas e, as potenciais soluções clínicas e científicas, para uma gestão adequada do Síndrome do Olho Seco e da disfunção das glândulas de mei bómio na Europa.

Num futuro próximo, a TFOS pretende realizar iniciativas semelhantes provenientes da África, Ásia, América Latina, América Latina e Oceania.

Durante os últimos anos assistiu-se em Portugal a um aumento do número de reuniões, simpósios e palestras sobre a etiologia, o diagnóstico e o tratamento do olho seco. A curto prazo, e com base no conhecimento acumulado, os profissionais da visão deverão incorporar rotinas clínicas padronizadas para detetar com maior precisão e diferenciar os diferentes tipos de Olho Seco, classificá-los e fornecer o tratamento em conformidade.

Esta abordagem deverá envolver uma conexão interdisciplinar apropriada entre o cuidado ocular preliminar por oftalmologistas gerais e outros profissionais da visão, e por especialistas da superfície da ocular que conduzam os tratamentos mais especializados, tendo em conta a gravidade e o tipo de olho seco.

Os médicos de clínica geral deverão ser consciencializados para o impacto que o olho seco pode ter na qualidade de vida das pessoas e fazer o encaminhamento adequado quando os pacientes lhes colo cam estas problemáticas.

No que diz respeito aos optometristas, são muitas vezes o primeiro ponto de contato com o doente e devem ser capazes de identificar os sintomas e sinais de olho seco, fazendo uma gestão adequada do uso de lágrimas artificiais, conselhos de ergonomia do posto de trabalho ou do ambiente doméstico que minimize os sintomas.

Desta reunião retiram-se globalmente inúmeras ilações que reforçam a urgência de superar as barreiras que previnem o Olho Seco de ser uma patologia mais reconhecida e o seu tratamento mais eficaz.

A elevada procura de tratamentos neste domínio pode resultar num colapso do sistema nacional de saúde, que enfrenta sérias limitações em atender esta demanda.

Em linha com este panorama está a diferença significativa nas competências dos profissionais de saúde entre os países europeus. Realidade que contribui para que os pacientes diagnostica dos com a patologia permaneçam com um nível de atendimento muito aquém do esperado. Cuidados de saúde, na sua maioria, não comparticipados e, falta de igualdade de oportunidades aos mesmos são outros obstáculos que restringem ainda mais o acesso dos pacientes.

A escassez de informação epidemiológica e o baixo nível de especialização em Olho Seco por parte dos profissionais de saúde visual são os principais entraves à avaliação da magnitude, caracterização e impacto da patologia.

Como resultado, os doentes são conduzidos num percurso errático até encontrarem um especialista apto a diagnosticar e tratar, de forma minuciosa e adequada o seu problema.

Os fatores referidos têm severas repercussões na recuperação e qualidade de vida do paciente, dado o atraso considerável no diagnóstico e tratamento.
Além da população adulta e idosa, os mais jovens devem também estar no centro das atenções, onde o Olho Seco poderá estar já a aumentar, não obstante, as abordagens ao Olho Seco relacionado com os procedimentos de cirurgia ocular. Entretanto, devem ser estimulados mais estudos e ensaios clínicos multicêntricos para avaliar mais afincadamente a eficácia dos diferentes diagnósticos e tratamentos já vigentes. Ainda assim, um dos aspetos mais prementes a levar a cabo é a promoção da literacia da população sobre a saúde visual, no que concerne ao Olho Seco e, a especialização dos diferentes profissionais da saúde visual no diagnóstico e tratamento desta patologia.

Além das conclusões já elencadas, foram ainda constatadas necessidades e desafios ligeiramente distintos em diversas partes da Europa.

Ao passo que esta doença não é fonte de preocupação generalizada no norte da Europa, o Leste Europeu sublinha que existe um grande défice de serviços especializados para o seu tratamento. Já no Sul da Europa as condições climatéricas, as fontes de alergias e a crescente
pressão migratória cooperam para fomentar a amplitude do problema.

Essencialmente, conseguiu-se atestar uma elevada heterogeneidade entre as variadas regiões e países europeus no interesse e apreensão desta doença. Foi inclusive possível analisar o acesso a cuidados especializados e, o modo como é diagnosticada e tratada.
No futuro próximo a perspectiva é que as clínicas oftalmológicas modernas incorporem centros integrados do olho seco, à semelhança do que o que acontece, por exemplo, com catarata, cirurgia refractiva ou glaucoma.

No papel de Embaixadores Europeus, J. Salgado-Borges e J. González-Méijome, acreditam que o esforço conjunto de monstrado por todos nesta reunião foi crucial para contribuir, a curto prazo, numa maior uniformidade na identificação, diagnóstico, referenciação e, na eficácia dos tratamentos de Olho Seco.

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