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A cirurgia da catarata em 2018 é um verdadeiro procedimento refrativo

A cirurgia da catarata não visa apenas restituir a visão, mas deve também ser encarada como um verdadeiro procedimento refrativo, já que é possível que o doente operado fique a ver bem – sem óculos ou lentes de contacto - com uma qualidade óptica e de vida excelentes.

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Em Março de 2018 assinei um artigo no Jornal de Notícias, que agora partilho no meu blog com muito prazer, acrescentando algumas informações extra. O tema principal é a cirurgia da catarata e como a sua evolução permite cada vez mais pessoas viverem com mais qualidade recorrendo a técnicas inovadoras.

O cristalino é uma lente natural localizada no interior do globo ocular (olho), imediatamente atrás da pupila. Em condições normais é transparente o que permite a passagem dos raios luminosos e a sua focagem na retina, obtendo-se dessa forma uma imagem nítida.

Quando o cristalino se opacifica o suficiente para provocar a diminuição da acuidade visual, estamos na presença de uma doença oftalmológica denominada catarata.

A catarata atinge mais de 200 milhões de pessoas e é responsável por cerca de metade dos casos de cegueira a nível mundial. Estima-se que em Portugal existam cerca de 200.000 pessoas com sinais/sintomas de catarata.

Existem diversas causas que podem originar uma catarata, das quais a principal está relacionada com a idade, resultando na chamada catarata senil. Considera-se que a maioria das pessoas com mais de 60 anos apresentam algum grau de catarata.

Outras causas menos frequentes de cataratas são, por exemplo, os traumatismos, medicamentos tais como os corticóides, doenças como a diabetes, alterações congénitas, entre outras. Os doentes míopes poderão apresentar catarata mais precocemente.

Consoante a área do cristalino opacificada, podemos adoptar uma classificação anatómica, sendo a catarata designada como cortical, nuclear, cortico-nuclear, subcapsular ou total. Por sua vez, o tipo de catarata pode ainda ser classificado mediante diversas escalas, a mais conhecida das quais é a escala Lens Opacity Classification System (LOCS III).

São vários os sintomas e dependem do grau da opacidade do cristalino.

Frequentemente a visão fica esborratada, referindo o doente que tem a sensação de que está a ver através de nevoeiro. Nesta fase, observa-se uma diminuição da sensibilidade ao contraste. Segue-se uma perda progressiva da acuidade visual que pode ser rápida (alguns meses) ou evoluir lentamente ao longo dos anos.

Outros sintomas são o deslumbramento, alteração da visão das cores, má visão noturna ou a necessidade de mudar frequentemente de óculos.

Tratamento com cirurgia da catarata

O tratamento é cirúrgico, não existindo atualmente qualquer tratamento médico eficaz para impedir o seu desenvolvimento ou “cura”.

As cataratas incipientes não justificam a realização de cirurgia. Ela apenas está formalmente indicada quando a perda da visão é importante ou surjam sintomas que interfiram significativamente com a atividade habitual, como a condução ou a leitura.

A técnica cirúrgica mais utilizada é a facoemulsificação, com colocação de uma lente intra-ocular, o que permite uma rápida recuperação visual. Hoje em dia é uma operação muito segura, com uma taxa de sucesso alta e praticamente indolor, podendo o doente retomar a sua atividade poucos dias após a realização da intervenção cirúrgica.

Usando as lentes intra-oculares apropriadas, a cirurgia da catarata também permite corrigir astigmatismos superiores a 2 dioptrias, com lentes tóricas, ou obter boa acuidade visual não só para longe como também para perto e meia distância, recorrendo a lentes multifocais (Lentes Premium).

Uma vez implantada a lente, considera-se terminada a cirurgia sem ser necessário sutura, nem mesmo na maioria dos casos, internamento. Em regra, o doente pode retomar a sua atividade normal poucos dias após a realização da intervenção cirúrgica.

Cirurgia da catarata: um verdadeiro procedimento refrativo

Nos últimos 20 anos, a cirurgia da catarata com fins refrativos têm sido alvo de uma autêntica revolução. Com a introdução constante de novos métodos cirúrgicos e de lentes intra-oculares cada vez mais sofisticadas, esta área constitui um dos campos de maior desenvolvimento no âmbito da oftalmologia.

A cirurgia da catarata é hoje em dia uma operação muito segura, com uma taxa de sucesso alta e praticamente indolor. Contudo, tal como em qualquer cirurgia, existem riscos, nomeadamente de infeção e/ou inflamação pós-cirúrgica.

Porém, estes riscos são escassos devido à técnica atualmente utilizada, aos aparelhos e à medicação administrada, bem como aos cuidados de assépsia protocolados antes, durante e após a cirurgia.

Contudo, não se pode esquecer os avanços que têm ocorrido ao nível do tratamento médico e cirúrgico das doenças da retina, nomeadamente do glaucoma, da Degenerescência Macular da Idade (DMI) e da retinopatia diabética.

Assim, a cirurgia tende a realizar-se mais precocemente, a partir dos 50-55 anos. Mas é fundamental uma avaliação pré-operatória cuidadosa que permita detetar quaisquer alterações do nervo óptico ou retina que possam vir a comprometer o resultado cirúrgico. O cálculo perfeito da lente intra-ocular indicada e uma técnica cirúrgica sem falhas, de forma a não comprometer as espectativas do doente, são também fundamentais.

O nível com que hoje realizamos esta cirurgia em Portugal é elevado, semelhante ao efetuado em qualquer Centro de Referência a Nível Mundial.

Em conclusão, em 2018 a cirurgia da catarata não visa apenas restituir a visão, mas deve também ser encarada como um verdadeiro procedimento refrativo, já que é possível que o doente operado fique a ver bem – sem óculos ou lentes de contacto – com uma qualidade óptica e de vida excelentes.

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